sexta-feira, 28 de outubro de 2016

OS LUSÍADAS: ENSAIO ABERTO AO PÚBLICO

Amanhã, sábado, 29 de outubro, às 18 horas, farei uma apresentação no salão do Ateliê Arte Pessoal de Kátia Gurjão, no Villaggio Valtellina, rua 21 Casa Rosa. Entrada franca.





quarta-feira, 26 de outubro de 2016

AS ARMAS E OS BARÕES ASSINALADOS


PROJETO OS LUSÍADAS



·      Atividade para auxiliar professores de Literatura no esforço de estimular a leitura e facilitar o conhecimento de obras e de escolas literárias (Estilo de Época).
·      A peça deve também ser transformada em áudio-livro (CD para ouvir, útil para disléxicos principalmente e para trabalhar em sala de aula.);
·      A peça deve também ser registrada em FILME, em DVD, para que, quando não for mais apresentada, os estudantes, professores e escolas possam ter acesso a esse trabalho artístico e didático.

OBJETIVOS

            O principal objetivo é o de popularizar e tornar compreensível, amável e admirável, a magnífica epopeia camoniana numa montagem teatral que possa despertar o interesse do grande público e, especialmente, do público estudantil do ensino médio e dos estudantes de letras do nível superior. Almeja-se principalmente estimular a leitura da obra original e provocar debates sobre questões estéticas, políticas e históricas que o poema possibilita. PÚBLICO ALVO: Estudantes do ensino médio e de faculdade de letras, professores de literatura e amantes de poesia em geral.

O TEXTO


            Várias estrofes serão mantidas como no original, outras sofrerão acomodações para facilitar o entendimento do  público, seja por substituição de vocábulos por seus correspondentes sinônimos ou por reconstrução das frases, colocando-as na ordem direta. Por questão de economia de tempo algumas estrofes serão eliminadas e resumidas no discurso dramático para que o espetáculo possa ser realizado em  55 minutos mais ou menos.
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segunda-feira, 24 de outubro de 2016

A GRANDE VIAGEM de Vasco da Gama e do Chacon


A longa viagem de Vasco da Gama durou um ano, a minha (de montar Os Lusíadas) já passou de quinze anos, mas finalmente vislumbro os mares nunca dantes navegados.


É grande a minha alegria a cada ensaio aberto quando vejo que as pessoas entendem e gostam do que estou fazendo. A obra de Camões é grandiosa, maravilhosa e merece o esforço que fiz e a paciência que tive. Agora, com a colaboração de Angelah Dantas, vejo que a encenação chega ao seu aprimoramento e está próximo o momento de mostrá-la ao grande público.
As duas fotos são de meu amigo William Brasil. O espaço em que foi apresentado esse ensaio é do meu amigo Hélio Borges.

          Que razões ou motivos justificariam atualmente uma montagem da epopeia OS LUSÍADAS? 
         Em primeiro lugar pelo valor e qualidade desse texto que é um marco importante na história da literatura em língua portuguesa.
      Em segundo lugar, porque sua elevada qualidade criou um distanciamento que leva muitas pessoas a evitarem a obra. Em função disso, venho há anos pensando em torná-la popular, em fazer com que através do teatro as pessoas possam, ao menos, conhecer as belas histórias, umas reais, outras fantasiosas, que ele nos conta: Inês de Castro, o Velho do Restelo, Gigante Adamastor, a Ilha dos Amores.
      Em terceiro lugar, porque se a pessoa prestar um pouco mais de atenção aos versos de Camões, verá que hoje não estamos tão longe assim do que ele ali nos mostra. Vou dar apenas dois exemplos:
  •  Essa ganância de ganhar dinheiro, de ter fama, é debatida e combatida pelas palavras do velho na partida do Gama: “Ó glória de mandar, ó vã cobiça desta vaidade a quem chamamos Fama! Que castigo tamanho e que justiça fazes no peito vão que muito te ama! Que mortes, que perigos, que tormentas, que crueldades neles experimentas! . . . Chamam-te Fama e Glória soberana, nomes com que o povo tolo se engana!”
  • Essa insegurança em que vivemos hoje, com medo da violência, essa depressão pela vida mais de obrigações do que de prazeres, atividades tediosas a que somos constrangidos e a tristeza de ser enganados pelos políticos, banqueiros, pelos detentores do poder político e econômico. Tudo isso você pode deparar, subitamente, numa fala do navegador Vasco da Gama: “Ó grandes e gravíssimos perigos, Ó caminho de vida nunca certo, que aonde a gente põe a esperança tenha a vida tão pouca segurança! No mar tanta tormenta e tanto dano, tantas vezes a morte apercebida! Na terra tanta guerra, tanto engano, tanta necessidade aborrecida! Onde pode acolher-se um fraco humano, onde terá segura a curta vida, que não se arme e se indigne o Céu sereno contra um bicho da terra tão pequeno?”
      Para finalizar, agora que o homem pensa ir a Marte e outros planetas e está nessa tentativa há mais de meio século, é bom lembrar que em 1497 a grande viagem do Gama foi o primeiro passo para isso. “Vamos tirar Camões do ostracismo!”

sábado, 22 de outubro de 2016

OS LUSÍADAS como monólogo

A GRANDE VIAGEM ou Por mares nunca dantes navegados.

Outubro, 2016. 
                   Estou, novamente, retomando minha adaptação de Os Lusíadas para teatro, como monólogo. Já cometi todos os crimes cirúrgicos de cortes. Quando fiz a primeira adaptação, tinha ficado com duas horas de duração e eu sofria remorsos por ter feito determinados cortes. Meu amigo José Paulo Pais, diretor de teatro, comentou que estava muito longo o texto. Outro amigo foi radical, como sempre, censurou-me, disse que era um crime, que devia respeitar o texto original, que não devia adaptar nada, e coisas assim. Quase desisti naquela época. Quer dizer, desisti mesmo, temporariamente. Depois retomei o trabalho e continuei durante anos. 
                     Agora, cortei mais ainda e o espetáculo vai ficar com cinquenta minutos, já não sinto remorso nenhum. Engraçado, não é? Bem, é que tenho por objetivo popularizar a obra máxima de Camões e do Renascimento. Quero que as pessoas conheçam o MAIOR poeta lírico e épico da língua portuguesa. 
                    O que foi feito até agora,  não me parece razoável; um sujeito decorou todo o texto e declamava, deve ter ficado muito chato. Há momentos em que o texto de Camões não se presta à declamação. As montagens grandiosas ou modernosas que já vi, desviaram a atenção do texto para as imagens, para dança, para tudo que não a poesia camoniana. 



Outro fragmento, agora o episódio A morte de Inês de Castro, gravado há nove anos aproximadamente: https://youtu.be/n1-E5viHpHk A morte de Inês


terça-feira, 1 de setembro de 2015

ABUNDÂNCIA

bunda de estátua

 

Abundam as bundas na praia, seminuas, sem vergonha, como as índias do Pero Vaz de Caminha.

Caminham as bundas nas calçadas, muitas de calças, raras de saias, todas se insinuando, empurrando o tecido.

Abundam as bundas nas praças: uma bunda passa, uma bunda passa pra lá, outra bunda passa pra cá. Uma bunda vai, outra bunda volta. Há bunda que me revolta porque a bunda mexe pra lá, porque a bunda mexe pra cá, porque a bunda mexe... com a gente, que indigente pede esmola, a esmola de um olhar, de uma atenção qualquer, qualquer bunda de mulher.

A bunda bole, bole, bole, a bunda mole, macia, parece que diz bom-dia! A bunda bole com o moço, A bunda bole com o velho, com o homem maduro.

estatua-de-mulher bundaA bunda não olha idade, ela não tem a mínima caridade! Passou agora pela rua afora uma bunda tão triunfante que o moço deu com a cara no muro. Se a bunda passa, o olho sai à caça, mesmo quando é uma bunda escassa. Passa uma bunda exuberante, a b u n d a n t e. Há bunda que não passa... fica! Como diria Vinícius: “Essa pacifica!”

segunda-feira, 17 de agosto de 2015

Vida Literária I

Já lhe contei sobre minhas experiências no teatro, falemos então sobre minha lida na vida literária. Escrevi meu primeiro livro, de poesia, impulsionado por meus alunos, principalmente uma classe enorme (Anglo Consolação, SP) de alunos vibrantes e rebeldes, mas com os quais me dei muito bem. Eles fizeram uma lista com nomes e endereços no final do ano, 1986, pedindo para publicar meus poemas e avisá-los para irem ao lançamento.
O Improviso do PalhaçoEsta é a capa do livro, que contava com ilustrações de um aluno meu de outro cursinho (Intergraus); Carlos Naef. Carlos tinha na época 19 anos e cursava artes plástica na ECAP-USP. O prefácio foi escrito por um ex-professor de 1970 (na época da publicação era meu colega de trabalho no Colégio Bandeirantes) Ubaldo Luiz de Oliveira, que por amizade exagerou nos elogios. A edição de mil exemplares esgotou-se em um ano, o que para um iniciante considero uma boa aceitação. Em função disso, vi-me convidado muitas vezes para apresentar-me com o poema do palhaço em reuniões e eventos, e o mais surpreendente deles foi um em Campinas, no dia da criança. Apesar de eu ter avisado que o poema era para adultos, insistiram tanto que fui e quase morri de susto ao ver aquela grande quantidade de crianças à minha volta, agitadas, inquietas. Quando eu lhes pedi que se imaginassem em um circo, o ambiente pegou fogo. Uns viravam cambalhotas, outros pulavam como cabritos, enquanto os menos criativos rolavam pelo chão. Custei para fazê-los sentar-se em círculo e improvisei o quanto pude e, jamais conseguiria lembrar tudo o que fiz na ocasião, mas deu certo e eu consegui me fazer compreender. Chacon Palhaço
Depois disso, apresentei várias vezes em sala de aula, para introduzir a questão dos heterônimos de Fernando Pessoa, revelando que criei o palhaço e que ele mesmo usou-me para escrever sua história, seu poema, assim como Fernando Pessoa idealizou Alberto Caeiro, que depois produziu de uma só vez dezenas de poemas em um só dia. Claro, que euzinho, muito mais humilde e menos criativo não tive tanta sorte, foi só o poema Improviso do Palhaço e mais tarde Enfim, Mulher.

O vídeo abaixo exibe parte de uma apresentação minha em Mogi das Cruzes, numa sala de aula do Anglo, feito por alunos.


segunda-feira, 13 de julho de 2015

INTERLÚDIO

Sobre Ayrton Salvanini…Ator Ayrton Salvanini

Esqueci de contar um acontecimento importante, ocorrido durante o tempo em que trabalhei com o Grupo RIA. Houve um intervalo, em que me afastei para desenvolver um trabalho com um grande ator, Ayrton Salvanini, que fez uma escolha interessante, criticada por muitos, mas ele é quem ganha mais com isso. Passou a montar peças para apresentar nas escolas sem intermediários.
Antes de falar do trabalho com Ayrton no ano 2000, ou 1999, eu preciso contar como conheci esse ator. Ele me procurou em 1981, quando eu lecionava no curso Compromisso Vestibulares, na Consolação. Certo dia, fui procurado por ele, que se apresentou e me revelou o seu projeto.
Sermão da Sexagésima, do padre Antônio Vieira− Eu estou pensando em decorar e vender para escolas o Sermão da Sexagésima, do padre Antônio Vieira. Creio que deve ser do interesse dos estudantes de literatura e dos professores também, o senhor não acha?
Eu joguei um balde de água fria nele. Disse-lhe que no mundo atual, daquele fim de século, a juventude não teria interesse por sermões. Aconselhei-o a procurar outro texto. Ainda bem que ele não me deu ouvidos. Decorou, montou, e foi apresentar para mim e para meus alunos. Foi maravilhoso. Eu já vi cinco vezes e não me canso. Foi a peça que mais lhe deu dinheiro até hoje. Ele não parou nessa, foi aumentando o número de peças, principalmente monólogos. Montou a Apologia de Sócrates, Bicho do Mato, 22, Discursos de Hitler, Fernando Pessoa. Dessa eu me lembro mais, não só por ter visto várias vezes, mas também porque auxiliei na procura de textos e por ter bebido muito uísque enquanto trabalhávamos.
Eu sempre sugeria ao Ayrton que fizéssemos algo juntos, mas ele declinava doInterpretando Bras Cubas convite. Eu não conseguia entender o motivo. Acabei concluindo que era porque gostava de trabalhar sozinho. Quando eu estava no elenco do Brás Cubas, ele foi ver a peça. Depois da apresentação, ele me elogiou e pediu para passar na casa dele, dizendo que estava com ideia de um trabalho comigo. Então concluí que, antes, ele duvidava do meu potencial, mas ao me ver trabalhando, mudou de opinião.
Quando nos reunimos, ele expôs o plano; montar uma peça que seria intitulada Travessia, construída a partir de três livros da lista da FUVEST. Eu adaptaria os cantos III e IV de Os Lusíadas, ele escolheria alguns poemas de Libertinagem e nós dois faríamos, a partir de uma seleção de cenas de Morte e Vida Severina, todos os personagens. Imagine só a loucura! Eu achei absurdo, mas me lembrando do sermão do Vieira, fiquei quieto e me deixei levar. Ainda bem, porque a experiência foi maravilhosa e o Ayrton também. Dirigiu-me com economia e competência, o espetáculo ficou pronto rapidamente e pudemos nos apresentar em várias cidades. A melhor lembrança que tenho é de uma apresentação no Teatro Municipal de Osasco. Lotado, lotadíssimo! Aquela molecada toda falando, gritando. Havia alunos da última série do primário, apesar de termos recomendado que só levassem estudantes do Ensino Médio. O Ayrton vendo minha ansiedade, aconselhou:
Ayrton Salvanini− Olha, é muito comum, em situações como hoje, o ator correr com o texto para se ver logo livre da situação. Não cChacon com bebêaia nesse erro. Hoje, pelo contrário, faça tudo mais devagar ainda, fale pausadamente, mas sempre de olho firme neles, não deixe de olhar para eles. Devagar!
E foi o que fiz, com o maior cuidado, e, para minha surpresa, quando terminei a última fala do Velho do Restelo − “mas contigo se acabe o nome e glória! ” − a plateia toda aplaudiu freneticamente. Obrigado Ayrton.